Tudo estava combinado: Fernanda e eu viajaríamos para Diamantina na quinta-feira, juntamente com os integrantes da Velha Guarda da Mangueira. Iríamos recepcioná-los e conduzi-los até o hotel da cidade – uma grande honra para nós e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade.
Fizemos as malas, entramos no ônibus e fomos recepcioná-los no aeroporto de Confins. Chegamos na hora exata em que o avião pousava. Para nossa surpresa, ao invés da famosa aparência cansada da viagem, nos deparamos com um grupo de senhores e senhoras com semblantes sorridentes, animados e saudáveis. Apresentamos-nos e logo em seguida os conduzimos em direção ao ônibus, que já os aguardavam.
Antes do embarque, ali mesmo no aeroporto, alguns curiosos observavam o movimento e, sem pestanejar, um deles me perguntou muito interessado: “Onde vai ser o show deles?”. Tive a triste tarefa de responder que o show foi reservado para Diamantina, para a Semana JK. Ele, claro, não ficou muito feliz ao ouvir minha resposta.
A viagem transcorreu muito bem. Desde o primeiro momento, os integrantes do grupo começaram a distribuir carisma, bom humor e, claro, muito samba. Foi só se acomodarem no ônibus para ouvir alguns deles cantando. Um cantarolava daqui, outro se unia ao mesmo som ou arriscava outra música dali. Um clima realmente muito agradável.
Siqueira do Cavaquinho cantou para Rody um pedacinho do samba que havia escrito. Rody logo manifestou sua opinião: “Você escreve muito bem Siqueira, a melodia também é muito boa, mas, o seu gogó…” afirmou entre muitas risadas. Siqueira também riu com o comentário. Talvez ele não faça muito sucesso com a voz, mas seu talento com o cavaquinho é inquestionável. Afinal, como colocar em dúvida o talento de alguém que já tocou com Pixinguinha, não é mesmo?
As conversas no interior do ônibus variavam. Em um dado momento o assunto foi futebol. Nessa hora a Fernanda aproveitou para defender seu time do coração e expor suas impressões sobre o campeonato brasileiro. Ela adora futebol. Eu também, mas, como boa mineira que sou, fiquei quietinha no meu canto. Pra que falar de futebol quando todos ali (ou a maioria pelo menos) demonstravam simpatia pelo rival.
O assunto mudou: dessa vez falávamos sobre história do Brasil e nesse assunto Rody é expert. Ele falou sobre a história de Ouro Preto e a descoberta do ouro, sobre Teófilo Otoni e suas pedras preciosas… deu um verdadeiro show de conhecimento. “Quem escreve samba aprende muito por que tem que pesquisar muito sobre os temas que canta”, justificou Rody . E, cá pra nós, ele deve ter pesquisado muito mesmo pois é nada mais nada menos do que o ex-presidente da ala dos compositores da Mangueira e ganhador de vários prêmios pelos sambas de enredo que compos.
Uma pausa para almoçar em um restaurante espaçoso e aconchegante, localizado na cidade de Sete Lagoas. “Tem cheirinho de madeira” observou Tia Zélia. Almoçamos, ‘proziamos’ bastante, depois voltamos para a estrada.
Ao chegar a Diamantina ouvi um deles comentar: “Os mineiros devem se orgulhar mesmo. Um mineiro que saiu dessa cidadezinha fez tudo que fez pelo nosso país! Isso é motivo de muito orgulho, realmente”. Confesso que esbocei um sorriso tímido nesse momento. Me senti privilegiada por ser mineira e escutar tal afirmação.
Mais tarde, no hotel – após o delicioso jantar preparado pelo famoso chef Vandeca – foi a vez de curtir o ritmo gostoso do grupo Chorinho Malandrinho, na inauguração do livro “Repensando o Governo” de Aníbal Teixeira – com direito a ‘palhinhas’ dos presentes no evento: Serafim Jardim, Genuíno, Rody, Siqueira do Cavaco e muitos outros aproveitaram o microfone para revelar seus talentos aos presentes. Uma noite agradável e sem igual.




No momento em que escrevo este post, todos já estão acomodados no hotel, descansado e se preparando para o show que acontece amanhã, às 22h na Praça do Mercado.
O palco, inclusive, já está montado.
Nos vemos lá?
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