Archive for maio, 2009

Por que Popcorn? – parte 3

Posted by Bruno Teixeira on maio 27th, 2009

Versão 3 – A canção

Slogans: “Tupi, or not tupi that is the question.”

Padrinho: Oswald de Andrade, Caetano Veloso, Banda de Pífanos de Caruaru

Pipoca moderna é o nome da seção de nosso site que explica quem somos. Não é à toa. Para dois donos que apenas arranham o inglês ter uma agência chamada Popcorn só poderia ser uma grande brincadeira, séria. Um pouco como auto-ironia, pra horror dos neo-colonizados  que julgam ser sempre mais preciso target que alvo; e outro tanto como crítica aos old-colonizadores que ao não entender Freires e Oswalds, ignoram o poder real da mestiçagem. Alô Pindorama’s Brother, saravá!

 

Pipoca moderna

Caetano Veloso

Composição: Caetano Veloso / Sebastião Biano

E era nada de nem noite de negro não
E era nê de nunca mais
E era noite de nê nunca de nada mais
E era nem de negro não
Porém parece que hágolpes de pê, de pé, de pão
De parecer poder
(E era não de nada nem)
Pipoca ali, aqui, pipoca além
Desanoitece a manhã
Tudo mudou

 

 

“Domingo já devia estar pronto quando Gil, que tinha deixado a Gessy Lever e se mudara com mulher e filhas para o Rio, recebeu um convite de não sei quem em Pernambuco para fazer uma temporada de apresentações no Recife. Guilherme foi com ele. Quando os dois voltaram, Gil estava transformado. Talvez os muitos dias longe da família – e ele era então um estreante naquela solidão de viagem que excita a mente – o tivessem deixado mais sensível e receptivo aos estímulos do

caráter cultural pernambucano, às insinuações da singularidade da nossa situação de brasileiros sob um governo militar que odiávamos, às contradições dos nossos projetos profissionais. O fato é que ele chegou no Rio querendo mudar tudo, repensar tudo – sem descanso, exigia de nós uma adesão irrecusável a um programa de ação que esboçava com ansiedade e impaciência. Ele falava da violência da miséria e da força da inventividade artística: era a dupla lição de Pernambuco, da qual ele queria extrair um roteiro de conduta para nós. A visão dos

miseráveis do Nordeste, a mordaça da ditadura num estado onde a consciência política tinha chegado a um impressionante amadurecimento (o governo de Miguel Arraes tinha sido, até sua prisão e deportação em 64, o mais significativo exemplo de escuta da voz popular) e onde as experiências de arte engajada tinham ido mais

longe, e as audições de mestres cirandeiros nas praias, mas sobretudo da Banda de Pífanos de Caruaru (um grupo musical de flautistas toscos do interior de  Pernambuco, cuja força expressiva e funda marca regional aliavam-se a uma inventividade que não temia se autoproclamar moderna – a peça que mais nos impressionou chamava-se justamente “Pipoca moderna”) deixaram-no exigente para com a eficácia de nosso trabalho. Ele dizia que nós não podíamos seguir na

defensiva, nem ignorar o caráter de indústria do negócio em que nos tínhamos metido. Não podíamos ignorar suas características da cultura de massas cujo mecanismo só poderíamos entender se o penetrássemos. Dizia-se apaixonado por uma gravação dos Beatles chamada “Strawberry fields forever”, que, a seu ver, sugeria o que devíamos estar fazendo e parecia-se com a “Pipoca moderna” da

Banda de Pífanos. Por fim, ele queria que fizéssemos reuniões com todos os nossos bem-intencionados colegas para engajá-los num movimento que desencadearia as verdadeiras forças revolucionárias da música brasileira, para além dos slogans ideológicos das canções de protesto, dos encadeamentos elegantes de acordes alterados, e do nacionalismo estreito.” (Caetano Veloso – Verdade Tropical, p. 87)

 

Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.

Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

Tupi, or not tupi that is the question.

Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.

Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.

Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.

O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.

Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande.

Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.
Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.

Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar.

Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.
A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.

Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre.Montaigne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos..

Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.

Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.

Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.

O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.

Só podemos atender ao mundo orecular.

Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.

Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.

Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.

O instinto Caraíba.

Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.

Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.

Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.

Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.

Catiti Catiti
Imara Notiá
Notiá Imara
Ipeju*

A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.

Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comi-o.

Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?

Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.

A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue.

Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.

Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.

Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.

Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.

As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.

De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.

O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.

É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.

O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?

Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.

Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.

A alegria é a prova dos nove.

No matriarcado de Pindorama.

Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.

Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.

Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.

A alegria é a prova dos nove.

A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.

Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.

A nossa independência ainda não foi proclamada. Frape típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.

Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.

OSWALD DE ANDRADE
Em Piratininga
Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha
(Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)

Pipoca em Macacos

Posted by Popcorn on maio 20th, 2009

Pipoca em Macacos

Dando um “UP”

Com colaborações da Fernanda…

Uma quinta-feira comum, cheia de jobs, como qualquer outra. Trabalho para todos da agência é o que não faltava.  

Porém, algo estava errado.  

Os pipoqueiros daqui estavam muito calados – o que não é normal, diga-se de passagem – e foi assim até a hora do almoço, quando alguém fez estourar uma excelente ideia: Vamos almoçar em Macacos?  

[pausa]

Para quem não conhece, Macacos é uma cidadezinha que fica a 34 km de Belo Horizonte, cheia de curvas, restaurantes, barzinhos, pousadas, verde e muito aconchego.

[/pausa] 

Então fomos. Blenda, Carol, Luciana, Fernanda, Bruno, Letícia, Mateus, Fred e eu. Ao chegar à cidade, escolhemos o primeiro restaurante que apareceu depois de uma das curvas, o Rancho do Zé Miúdo (restaurante que de miúdo tinha só o nome)

O cardápio era delicioso e nada light. Comida mineira e caseira – quase igual aquela da sua mãe sabe? Pra se ter uma ideia, abrimos o apetite com alguns torresmos e um belo copo com limonada suíça bem gelada. Arroz, feijão, tropeiro, couve, angu, costelinha, maçã de peito, lombo, ovo (e mais torresmo) eram as opções para montar a refeição.

Depois que cada um escolheu o que queria – e da dificuldade para que isso acontecesse, – foi hora de jogar conversa fora. O clima, sempre ‘amistoso’ entre todos [ironia detected] provocava muitas risadas. Eram elogios para todo lado! Uns falando do quanto é agradável ter o colega como companhia, outros entendendo as coisas sempre em duplos sentidos – É um perigo! Você fala A e eles entendem Y! – mas, confesso, foi muito divertido. 

Também houve o momento nostalgia, quando o Bruno lembrou que naquele mesmo Rancho – há alguns ‘poucos’ anos atrás – tinha um cachorro chamado pirata. Todos tentaram reviver o pirata, chamando-o com um torresminho na mão – Pirataaa… vem cá.. tshiu..tshiu.. -  mas,ele não apareceu… 

(Meus sentimentos Bruno, mas acho que o Pirata ‘chutou o balde’ há muito tempo. Se é que você me entende) 

Enfim, a comida chegou. E que comida! Estava deliciosa. Nada melhor do que passar as horas mais sagradas do dia – ou seja, a hora do almoço– ao lado de pessoas bacanas, num lugar lindo e com uma comida que te faz relembrar os momentos mais gostosas da sua vida. (Pelo menos comigo foi assim… rs) 

Na hora de ir embora, passamos dentro de um riacho (uhul, radical \o/). Já os integrantes do outro carro desceram num mirante onde só se ouvia os cachorros-perdigueiros (segundo o Bruno) latirem e o vento cortar o rosto. Até que com o rádio ligado se escuta o spot de um cliente, nesse momento todos riem e literalmente “o dever nos chama!”.

 

Por que Popcorn? – parte 2

Posted by Bruno Teixeira on maio 15th, 2009

Versão 2 – O marketing
Slogan: “No creo em las brujas, pero que las hay, las hay”
Madrinhas: Faith Popcorn e Luciana Ferraz

O fato é que depois de escolhermos popcorn lembramos que isso poderia também ser “explicado” por uma feliz coincidência. Criamos uma agência de propaganda por acreditar que comunicação não se resumia à propaganda, o que alguns denominavam comunicação estratégica, integrada, holística ou mesmo marketing. E mais, nossa Popcorn também existia pela crença de que o mercado precisava de mais e melhor planejamento das agências. E olha só a coincidência, Faith, com seu relatório Popcorn, foi uma das responsáveis pela popularização do uso pragmático do marketing na propaganda e da sua criação de tendências fazia a alegria dos nascentes planners. Assim, o que alguns acham e outros, como a Luciana Ferraz lá de cima e daqui da agência, divulgam é só uma coincidência pertinente. Não chamamos Popcorn por causa da Faith, mas vai saber se nos corredores do inconsciente foi exatamente esta a motivação. Como assim num descuido de modéstia e babaquice.

FAITH POPCORN, TED NELSON E A COMUNICAÇÃO DIGITAL. Douglas Gregorio

A Nostradamus do marketing – Em 1991, Faith Popcorn entrou para a história internacional do marketing ao publicar seu relatório, o qual tornou conhecido o conceito de cocooning (em inglês, encasulamento).

Apelidada de a Nostradamus do marketing, Popcorn tornou-se referência para profissionais de propaganda e marketing no início da década de 90, algo semelhante ao que Jon Steel representa para os planners hoje – uma referência universal.

As previsões de tendências de Popcorn hoje aparentam ser de uma ingenuidade tamanha que julgamos ser o sucesso de suas teorias apenas um grande case de marketing bem sucedido. Porém, talvez não sejam.

Ainda não podíamos falar de informatização pessoal e de Internet como fenômeno de massa naquela época, e este fator, o qual consolidou-se somente no final dos anos 90 como revolução, fez com que os conceitos e percepções da realidade mudassem tanto e de forma tão rápida que mal percebemos estar mergulhados na realidade prevista por Popcorn há quase vinte anos atrás.

Encasulamento, o que é? – Voltando ao cocooning, só para não deixar esta citação perdida sem explicação, trata-se fundamentalmente da tendência da busca pela proteção em nossa sociedade contemporânea, na qual viveríamos em casulos que impediriam o contato direto com outras instâncias sociais como o casulo armado, nossa casa e o casulo nômade, o automóvel.

Seria Popcorn uma pensadora original? – Nunca tive a oportunidade de desenvolver um estudo sistemático das idéias de Popcorn, mas percebo que ela foi antecedida na história nos primórdios do capitalismo a partir da burguesia na Europa do século XVIII; por exemplo, vejamos a arquitetura burguesa nas relíquias coloniais brasileiras como Parati e Olinda. Os solares apresentam paredes bem grossas cujas janelas têm parapeitos que se estendem por mais de meio metro, afunilando-se até uma abertura sempre pequena que lembram ameias de fortalezas.

A egonomia e o consumidor de hoje: A egonomia fala sobre a produção personalizada das mercadorias individualizadas. Vejamos a campanha que está na mídia do Banco do Brasil – Banco do João, Maria, Paula, Edson etc. como um exemplo bem pertinente desta previsão. Marcello Magalhães, planner da Giovanni, em sua palestra no Top de Planejamento 2007 falou que hoje as marcas são mais sensíveis e, ao invés de bombardear a cabeça do consumidor impondo um padrão de desejo e impulso de consumo, procura aproximar-se e entender cada consumidor para oferecer justamente aquilo o que ele procura.

TED NELSON – o cocooning na Internet e a via da libertação. O pai do hipertexto, o filósofo americano Ted Nelson olha com desconfiança para os atuais conceitos de informática. Ele os considera limitadores das possibilidades oferecidas pelos computadores.

Para Nelson, os treinamentos de informática nada mais são que a transmissão de determinadas convenções impostas pelos líderes do mercado de informática.
As várias possibilidades de se criar, por exemplo, um editor de textos ou um navegador com funções e ferramentas completamente diferentes das apresentadas pelos dos sistemas mais utilizados – Macintosh e Windows – nem de longe passam pela cabeça dos usuários da atualidade, excluindo-o do verdadeiro espírito da revolução digital.

Programar ou utilizar – a troca: Nos primórdios da informatização, os modelos comercializados podiam ser limitados em termos de velocidade e armazenamento, porém, conferiam ampla liberdade ao usuário na medida em que este podia PROGRAMAR, ou seja, criar em seu computador pessoal funções e ferramentas personalizadas sem a ajuda de nenhum profissional especializado. Hoje, o direito de programar tornou-se monopólio de especialistas. Trocamos com este direito por uma arquitetura organizacional de dados baseada em arquivos fechados, ou ainda por um pacote de funções desenvolvidas para adaptar-se a quaisquer tipos de serviços, mas tudo polivalente, pensado para atender não à necessidade pessoal de cada um, mas sim adaptar esta necessidade às ferramentas disponibilizadas.

Lembro de um amigo que desde o final dos anos 70 vivenciou jóias como o XT, monitor de fósforo monocromático e o wordstar… e hoje mantém em seu home office dois computadores de última geração, e, pasmem: apesar de ter a seu dispor máquinas formidáveis não abriu mão do seu XT, nem de sua impressora matricial porque nele desenvolveu um programa fundamental para administrar os contatos comerciais de sua empresa, e por mais que explore versões mais recentes do pacote Office da Microsoft, não consegue encontrar ferramenta ou função que lhe garanta sequer resultado aproximado.

Popcorn e Nelson – o paralelo.
Acredito que com o auxílio da versatilidade do nosso raciocínio podemos estabelecer um paralelo entre as previsões de Popcorn e as preocupações de Nelson.
A situação talvez seja mais agressiva do que percebemos em nosso estressante cotidiano. Usando aplicativos deixamos de reter nossos próprios dados no universo informatizado já que os donos dos sistemas como a Microsoft ou a Apple tornaram-se proprietários dos dados possíveis de serem operacionalizados na informática praticada hoje em dia.
Quando podíamos programar, fazíamos o que queríamos em nossos computadores pessoais; hoje, precisamos pagar a eles pelos aplicativos, e pior: não para fazer o que queremos, mas para adaptar o que queremos ao que eles nos permitem fazer. Assim, parece que em busca de segurança – a segurança de estar integrado ao universo digital permite viver identidades e possibilidades que, apesar de virtuais, alimentam a perspectiva que Popcorn chamou de aventura da fantasia – sair do casulo mas de modo seguro – fazendo com que contraditoriamente à tendência da egonomia recaíssemos num casulo virtual dos sistemas operacionais e aplicativos.
Os planners e as perspectivas estratégicas: Tais reflexões são fundamentais para a compreensão do comportamento do consumidor, uma vez que implicam em se pensar, rever e mesmo prever as tendências da estética, dos conceitos de tempo e velocidade, dos conceitos de entretenimento entre outros, e a dinâmica com a qual podemos nos deparar no processo da vivência social da economia de mercado, e entender qual o papel da comunicação publicitária diante disso.

Trata-se de um projeto de construção intuitiva de um conjunto de perspectivas mais que estratégicas, fundamentais para o sucesso dos projetos publicitários que estamos desenvolvendo para os nossos clientes e suas bases teóricas e práticas. Provavelmente poderemos, assim como fez Popcorn, prever as tendências futuras do comportamento social e, no que diz respeito à nossa função na cadeia de produção publicitária, garantir que estejamos acompanhando a dinâmica comunicativa desta complexa sociedade contemporânea para o sucesso e garantia de satisfação dos nossos clientes.

THEODOR HOLM NELSON nasceu em 1937 nos Estados Unidos, graduado em sociologia e filosofia, criador de termos como hipertexto, hipermídia, hiperlink, transclusão e virtualidade. Seu trabalho é focado na busca da acessibilidade dos computadores a todo e qualquer tipo de pessoa, e sua principal máxima é:
Uma interface para um usuário deveria ser tão simples que um iniciante, numa emergência, deveria entendê-la em 10 segundos.
FAITH POPCORN é graduada pela Universidade de Nova York, e atuou com destaque na área de criação publicitária em agências antes de abrir em 1974 sua empresa, a BrainReserve consultoria, vindo a notabilizar-se perante o mundo com a publicação de O Relatório Popcorn em 1991. Atua com branding e new business, e atende a clientes como a Nissan, Procter & Gamble, American Express entre outros.
Postado por Douglas Gregorio às 22:12